Jonathan Doering Darcie, Fiipo Mór e Roger Ilha Moreira.

A Iconic é uma startup de Porto Alegre que está em fase de captação de recursos para criar uma plataforma dentro da qual empresas poderão criar seus projetos de oferta inicial de moedas virtuais (ICO, na sigla em inglês).

Em um caso de espetos de ferro na casa do ferreiro, a Iconic está fazendo o seu próprio financiamento por meio de um ICO, cuja projeção é atrair um total de R$ 7 milhões de financiamento.

A oferta inicial de moedas virtuais é uma estratégia em alta no exterior para financiamento de startups, como uma forma de captar dinheiro mais barato e mais rápido do que o oferecido pelo processo de captação de capital exigido por investidores de risco ou bancos.

Por meio de uma ICO, um novo empreendimento arrecada dinheiro criando uma criptomoeda atrelada a uma aplicação específica da tecnologia de blockchain.

Assim, caso a aplicação seja bem sucedida, a demanda por essa moeda digital crescerá, e os investidores poderão revender as que já tem com uma margem de lucro.

“Nós vamos criar uma plataforma na qual será oferecida auditoria e arbitragem entre as empresas que querem fazer um ICO e os investidores”, resume diz Jonathan Doering Darcie, diretor executivo da Iconic e advogado tributarista de carreira, que é um dos sócios da Iconic.

O time da Iconic conta ainda com Filipo Mór, um professor da PUC-RS com pesquisas na área de computação de alta performance, no cargo de diretor técnico e Roger Ilha Moreira, um especialista em marketing digital, para a diretoria de estratégia e marketing.

A empresa ainda tem no seu time de advisors César Augusto Marcon, outro pesquisador da PUC-RS e o economista Fábio Ostermann, conhecido pela sua militância política em círculos liberais, nos quais projetos de criptomoedas são um tema em alta, além de diversos especialistas internacionais no assunto.

O tipo de arbitragem que a Iconic se propõe a fazer é fundamental para o êxito de um financiamento por criptomoeda, no qual a relação entre os investidores e os investidos é diferente do modelo de crowdfunding, que seria um parente próximo.

Em um crowdfunding, os financiadores na maioria dos casos pagam pela entrega de um produto e o sucesso de uma campanha está em atrair suficientes interessados e fazer a entrega no prazo prometido.

Um ICO busca atrair investidores interessados em fazer uma aposta em um modelo de negócio que valorizará um ativo. 

Eles precisam acompanhar mais de perto a movimentação da empresa investida e ter um mercado no qual converter suas moedas digitais em dinheiro.

A Iconic, no caso, já arrecadou R$ 550 mil em 10 dias vendendo 1,5% do total da chamada NIC, a sua moeda virtual.

Esse é o chamado pré-ICO, no qual os investidores assumem riscos maiores em troca de moedas por um valor menor (90% do total veio de investidores internacionais especializados no mundo do bitcoin). A empresa está preparando uma emissão de maior porte para maio. 

No futuro, esses NICs poderão ser usados para investir nos ICOs organizados através da plataforma da Iconic, o que deve dotar a moeda digital de liquidez e demanda.

A empresa já está organizando dois ICOs. O primeiro é o da SerpN, uma startup de mineração que quer extrair de uma jazida no interior do Rio Grande do Sul o serpentinito, um mineral com aplicações em produtos para construção civil e agricultura.

O ICO tem meta de arrecadar US$ 20 milhões em criptomoedas.

Outro negócio em vista é com o Cruzeiro, um dos clubes de futebol mais antigos do Rio Grande do Sul, com o qual está sendo criado um projeto de “compartilhamento total da gestão do clube”, ainda sem especificações públicas.

Recentemente, a FDD Negócios Digitais, uma empresa de desenvolvimento de software com forte atuação entre agências digitais, comprou uma participação no negócio, com o que deve colaborar no desenvolvimento da tecnologia e na atração de possíveis clientes.